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sexta-feira, 16 de maio de 2008

III - A Eva Africana - quando a cultura pop se apaixona pela ciência

eva africana african eveEsqueça o Botox. A garota sensação tem no mínimo cerca de 150000 anos, e está com óptimo aspecto, se tivermos em consideração tudo o que já passou. Ela é a Eva mitocondrial, alguns acreditam que ela é a mãe de todos os seres humanos vivos.

Seus muitos defensores, inclusive Bryan Sykes, autor das Sete Irmãs de Eva, tornaram a mãe de todos as mães num ícone da cultura pop - e num cartaz mãe para o anti-racismo. No entanto, por muito digna que seja a causa, precisamos de saber quanto é verdade, e quanto é ficção.

A reivindicação de fama da Eva Africana

Os defensores da Eva dizem que o nosso DNA mitocondrial é transmitido apenas através da linha materna. E se regressarmos suficientemente longe no passado, todos os seres humanos vivos são seus descendentes. Por outras palavras, enquanto outras mulheres viveram ao lado e antes dela, ela é a única mulher suficientemente fecunda para ter tido sucesso em passar o DNA mitocondrial para todos os seres humanos hoje vivos.

Mas aqui está um problema que temos de ponderar: Se o MtDNA paterno também é herdado nos seres humanos, tal como tem sido demonstrado acontecer nas ovelhas então ela pode não reflectir adequadamente a nossa herança materna. E, se for este o caso, nós não podemos ter a certeza de que o antepassado feminino comum a todos os humanos viveu em África. Isso não significa que a hipótese do 'A Partir de África' esteja incorrecta. Em vez disso, temos de perguntar, será que a análise do MtDNA é suficiente segura para apoiar a hipótese?

Se não foi a Eva Africana, quem foi?

A Eva Africana sempre teve descrentes a seu repeito no campo da evolução humana. Tal como John Noble Wilford explicou em "Critics batter proof of an African Eve" (New York Times, 19 de maio de 1992),

Ninguém está a pôr em causa a considerável evidência que mostra que os mais antigos ancestrais pré-humanos se ramificaram dos chimpanzés e gorilas na África entre 5 milhões e 10 milhões de anos atrás. A espécie ancestral Homo erectus começou a migrar para a Ásia e Europa há mais de um milhão de anos atrás, o que poderia estar dentro do período de tempo necessário para os resultados do DNA mitocondrial, dependendo dos pressupostos das taxas de mutação.

Então, como o Dr. Wolpoff tem defendido, o moderno Homo sapiens poderia ter evoluído a partir destes antigos ancestrais de forma independente em muitas partes do mundo. O Dr. Wolpoff e Dr. Alan Thorne, um antropólogo na Universidade Nacional Australiana em Camberra, relataram que os paleontólogos estão encontrando em locais muito separados importantes semelhanças entre os crânios de antigos seres humanos e os crânios dos seus homólogos modernos, semelhanças que eles dizem eram "difíceis de enquadrar com uma teoria baseada nas migrações Africanas de substituição em massa."


Esta visão alternativa da evolução humana defende que "os seres humanos modernos evoluíram em todos os lugares, à medida que as populações se misturaram e genes vantajosos se espalharam." (National Geographic News, 11 de janeiro de 2001).

Os cientistas que adoptam esta última visão (multiregionalistas) não estão dizendo que diferentes grupos de seres humanos têm antepassados distintos. Em vez disso, eles estão dizendo que todos os seres humanos modernos descendem a partir de mais ou menos os mesmos antepassados, mas dispersos em diferentes regiões, em vez de a partir de uma única mulher em África.

Muitos evolucionistas humanos se associam à ideia da Eva Africana porque ela elimina outras questões inquietantes. Por exemplo, se os multiregionalistas estiverem correctos, os seres humanos modernos aparecem bastante de repente num grande número de lugares diferentes, e uma causa para isso deve ser investigada. Mas, se realmente existir uma Eva Africana, o evolucionista pode simplesmente assumir que ela era simplesmente mais saudável e mais fértil do que as outras mulheres.

Como Friderun Ankel-Simons e Jim M. Cummins frisam, não é surpreendente que os adeptos da Eva se tenham demonstrado relutantes em considerar evidências que suscitam dúvidas sobre a sua existência: "Independentemente de a Hipótese da Eva Africana estar ou não correcta, ela não pode ser suportada pela assunção da evolução do mtDNA estritamente matriarcal".

Por vezes ainda podemos ver livros, blogs e autores populares a insistir que não há nenhuma contribuição paterna para o DNA mitocondrial, talvez baseados em informações antigas. Por exemplo, no seu livro amplamente lido de 1986, O Relojoeiro Cego, Richard Dawkins afirmou que o esperma não contêm mitocôndrias:

mitocondria dna mitochondria
Todas as mitocôndrias que você tem são descendentes da pequena população de mitocôndrias que viajaram de sua mãe através do seu óvulo. Os espermatozóides são demasiado pequenos para conterem mitocôndrias, por isso as mitocôndrias viajam exclusivamente através da linha feminina, e os corpos masculinos são um beco sem saida no que diz respeito às mitocôndrias. Aliás, isso significa que podemos utilizar as mitocôndrias para encontrar os nossos ancestrais, estritamente através da linha feminina. (p. 176)


Ele emendou ligeiramente esta classificação de "beco sem saída" em 1995 no seu livro River Out of Eden, A Darwinian View of Life:

Os espermatozóides são demasiado pequenos para conterem mais do que algumas mitocôndrias ... estas mitocôndrias são rejeitadas com a cauda quando a cabeça do espermatozóide é absorvida na fertilização dos óvulo.


espermatozoide mitocondrias sperm mitochondriafecundação espermatozoide ovulo sperm eggclique na imagem para aumentar

Na verdade, como vimos, algumas mitocôndrias dos espermatozóides entram no óvulo e não sabemos o nível de influência que elas têm. O facto de haver apenas algumas mitocondrias pode ou não ser decisivo.
Então, houve uma Eva Africana? Talvez, mas, apesar dos progressos, nós realmente ainda não sabemos muito sobre as nossas origens. É talvez um pouco como tentar prever a imagem representada por um puzzle de 5000 peças - quando não temos a figura na caixa - após descobrir alguns pedaços que se encaixam em vários lugares. Nós somos influenciados não só por aquilo que vemos nas poucas peças encaixadas, mas por aquilo que queremos ou esperamos ver no espaços em branco imensamente maior.

Voltar para a Parte I: Mitocôndrias: uma peça no puzzle das nossas origens?

Voltar para a Parte II: O que o nosso DNA mitocondrial Diz Sobre a Ascendência Humana?


Recursos para a série

Ankel-Simons, F., and J. M. Cummins. 1996. "Misconceptions about mitochondria and mammalian fertilization: Implications for theories on human evolution." Proceedings of the National Academy of Sciences USA 93 (1996): 13859-13863.

Cummins, J. M. 2001. Cytoplasmic Inheritance and Its Implications for Animal Biotechnology. Theriogenology 55: 1381-1399.

Sutovsky, P. and G. Schatten. 2000. "Paternal Contributions to the Mammalian Zygote" Fertilization After Sperm-Egg Fusion." International Review of Cytology 195: 1-65.

Yanagimachi, R. 2005. "Male Gamete Contributions to the Embryo." Annals of the New York Academy of Sciences 1061: 203-207.

Crozet, N., M. Dahirel, and P. Chesne. 2000. "Centrosome Inheritance in Sheep Zygotes: Centrioles Are Contributed by the Sperm." Microscopy Research and Technique 49: 445-450.

Klotz, C., M.-C. Dabauvalle, M. Paintrand, T. Weber, M. Bornens, and E. Karsenti. 1990. "Parthenogenesis in Xenopus Eggs Requires Centrosomal Integrity." Journal of Cell Biology 110: 405-415.

Palermo, G. D., S. Munne, and J. Cohen. 1994. "The Human Zygote Inherits Its Mitotic Potential from the Male Gamete." Human Reproduction 9: 1220-1225.

Palermo, G. D., L. T. Colombero, and Z. Rosenwaks. 1997. "The human sperm centrosome is responsible for normal syngamy and early embryonic development." Reviews of Reproduction 2: 19-27.

(por Jane Harris Zsovan)

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A origem da vida não é consensual. A evolução dos seres vivos não é consensual. A teoria de Lamarck, a teoria de Darwin, e outras, propuseram a transformação dos seres vivos ao longo do tempo.

Mas o evolucionismo e o darwinismo não explicam de forma satisfatória a complexidade dos seres vivos. A biologia molecular e a biologia celular revelam mecanismos cuja origem os darwinistas nem se atrevem a tentar explicar.


Este blog trata de Design Inteligente, Darwinismo e Teoria da Evolução