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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Aulas de Biologia do MIT - lendo nas entrelinhas 3

cientista laboratórioNota da Lição:

Muitas características físicas, como a cor do cabelo e olhos, são o resultado directo de se ter certos genes dominantes. No entanto, existem alguns genes que podem ser dominantes num indivíduo apesar de não se manifestarem, excepto em determinadas condições. Creio que uma predisposição para doenças cardíacas e diabetes foram mencionados como exemplos, aonde escolhas de estilos de vida podem ser o factor decisivo no seu aparecimento.

Os meus pensamentos:

O meu pensamento aqui é mais social do que relacionado com a evolução.

Digamos que os investigadores conseguiam encontrar o fugaz "gene gay". Há boas razões para pensar que tal gene não teria um efeito determinante, como o gene da cor dos olhos, mas que apenas forneceria uma susceptibilidade àquela condição. Na verdade, deve ser este o caso, uma vez que estudos em gêmeos idênticos demonstram que mais de 50 por cento dos homossexuais gêmeos têm irmãos heterossexuais. Compare isso com 100% de paridade entre gêmeos (tanto quanto sei) para coisas como cor dos olhos e dos cabelos. Se essa condição fosse realmente de origem genetica, os gêmeos seriam sempre os dois homossexuais ou então os dois heterossexuais.

Se fossemos então comparar o "gene gay", com o "gene da doença cardíaca" teríamos chegado a uma conclusão problemática. Isso porque se pensarmos sobre o próprio aparecimento de doenças cardíacas, geralmente descobrimos que ela é acompanhada por má dieta e pouco exercício físico. Ou seja, a predisposição para doenças cardíacas só pode manifestar-se sob condições adversas. Pode-se dizer claramente que é uma coisa "má", no sentido em que se trata de um caso de funcionamento normal do corpo a ser usado erradamente. Nesses casos, o gene relacionado não é realmente um novo e distinto gene, diferente do gene que outros indivíduos saudáveis têm; é devido a uma alteração (mutação) de um gene existente que serve um propósito valioso.

Tudo isto para dizer que encontrar um "gene gay" não teria o efeito desejado de tornar a homossexualidade numa variação humana "natural", como homem/mulher, loiro/moreno, e branco/negro. Na pior das hipóteses, pode ser visto como uma mutação deletéria de um gene de bom-funcionamento (e em termos Darwinistas, o portador de um gene não reprodutor está claramente em desvantagem). Na melhor das hipóteses, é apenas um gene que pode resultar em homossexualidade sob certas condições - condições que podem ainda ser caracterizadas como "desfavoráveis", significando que algo correu mal. E qualquer condição que só pode ser influenciada por outros fatores é uma condição que também poderia ser evitada ou invertida. Eu sei, isso tudo é ciência politicamente incorrecta. Mas é uma ficção que a ciência seja do domínio exclusivo de sacerdotes de bata branca da imparcialidade e da verdade. O que leva ao meu próximo tópico.

Nota da Lição:
Um dos professores relatou vários casos de grandes descobertas científicas, algumas das quais estavam bem à frente do seu tempo, que foram encaradas com indiferença e mesmo rejeitadas pelos pares contemporâneos. Um exemplo seria a descoberta de que os cromossomas estão envolvidos na hereditariedade.

Os meus pensamentos:

Quando eu era jovem eu tinha uma visão inocente da ciência. Eu imaginava que os cientistas estavam principalmente preocupados com a verdade a todo o custo e que a ciência lidava com preocupações objectivas que estavam isoladas de campos mais tendenciosos como o dos valores e da religião. Eu acreditei que novas descobertas destruidoras de paradigmas eram recebidas com entusiasmo e que o progresso era o objetivo comum a todos. E depois eu cresci.

Os cientistas são humanos, também, e propensos aos mesmo preconceitos e erros que as pessoas fazem em todas as outras áreas da vida. Na verdade, há algumas maneiras pelas quais as ciências oferecem oportunidades exclusivas para o preconceito. Teorias da moda devem ser ferozmente defendidas se alguém tem esperança de ganhar um prêmio Nobel. Valiosos subsídios devem ser cortejados por meio de agendas de investigação politicamente correctas. Ortodoxias fraternais devem ser cuidadosamente negociadas se alguém espera publicar nas melhores revistas. Já ouvi dizer que a maioria dos laureados Nobel tinham uma grande dificuldade em obter as suas teses originais revistas pelos pares e tinham de publicar de forma privada ou em pequenos jornais.

Mas o mais preocupante (e muitas vezes mais negado) de tudo, são os preconceitos metafísicos que impedem algumas idéias de ser consideradas apenas por principio. Ninguém está imune à influência das convicções pessoais, e algumas teorias têm maiores implicações para as convicções do que outras. A aceitação da teoria do big bang é um exemplo recente em que o preconceito pessoal estava a trabalhar contra a montanha de provas e consenso crescente em seu favor. Como Sir Arthur Eddington escreveu em 1931, "A noção de um começo é repugnante para mim ... eu simplesmente não acredito que a actual ordem de coisas começaram com uma explosão. ... A expansão do Universo é absurdo... incrível ... deixa-me frio ". E mais recentemente, Phillip Morrison do MIT disse num filme da BBC sobre cosmologia ", tenho dificuldade em aceitar a teoria do Big Bang; gostaria de rejeitá-la."

Embora os ateus tenham encontrado formas criativas para minimizar as implicações de um evento de uma "criação", os riscos para uma rejeição da evolução naturalista são talvez ainda mais elevados, pois se a natureza não nos tiver moldado, então, exatamente quem foi? Permitam-me apenas terminar citando o geneticista e biólogo evolucionista de Harvard, Richard Lewontin, que publicamente resumiu os preconceitos materialistas (e o seu) melhor do que eu poderia esperar:
A nossa disponibilidade para aceitar as alegações científicas que são contra o senso comum é a chave para a compreensão da verdadeira luta entre a ciência e o sobrenatural. Escolhemos o lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas das suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas promessas extravagantes de saúde e vida, apesar da tolerância da comunidade científica a histórias "just-so", porque temos um compromisso prévio, um compromisso ao materialismo. Não é que os métodos e instituições da ciência de alguma forma nos obriguem a aceitar uma explicação material para o mundo fenomenal, mas, pelo contrário, que somos forçados, a priori pela nossa adesão a causas materiais para criar um aparelho de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materiais, não importa o quão contra-intuitivo isso seja, não importa o quão mistificadora seja para os não iniciados. Para além disso, aquele materialismo é absoluto, pois não podemos permitir um "Pé Divino" à porta.

Se o Design Inteligente é realmente a causa da bioquímica, então nós nunca o vamos saber, pelo menos enquanto os guardiões da "ciência", como Lewontin, estiverem de guarda para assegurar que apenas as ideias pré-aprovadas são admitidas para consideração.

(Texto a azul, de Paul Pruett)

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A origem da vida não é consensual. A evolução dos seres vivos não é consensual. A teoria de Lamarck, a teoria de Darwin, e outras, propuseram a transformação dos seres vivos ao longo do tempo.

Mas o evolucionismo e o darwinismo não explicam de forma satisfatória a complexidade dos seres vivos. A biologia molecular e a biologia celular revelam mecanismos cuja origem os darwinistas nem se atrevem a tentar explicar.


Este blog trata de Design Inteligente, Darwinismo e Teoria da Evolução